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Duas Rural em Escarpas

      Tô Bão ! 

Já até tinha deixado prá lá, e nem ia mais contar essa, mesmo porque já faz mais de um mês, e depois disso já fomos com a Faustina à Mariana, só eu e a Rose. Nem o Chico foi, pois estávamos comemorando aniversário de casamento.  Mas a Rose me veio com um jornal que falava de Escarpas do Lago, em Capitólio. Lugar de bacana, só dá carro e caminhonetes novos, daqueles 4x4 que nunca vão ver uma tirinha de terra. Me parece que o colunista social do jornal estava de bronca com alguém que encontrou por lá, e achei até cômicas algumas das notas. Nessas notas o colunista descia o pau em alguém que encontrou por lá. Dizia que lá "sempre aparece estranhos no ninho, com carrões e lanchões, mas que é um povinho feio e danado de exibido". Sei que não éramos estranhos naquele ninho, pois não acompanhávamos absolutamente ninguém, dando continuidade ao nosso jeito simples e alegre de conhecermos lugares, e, principalmente o patrimônio natural mineiro, usando para isso nossos velhos Jeep's. Lá também tem muito de patrimônio artificial, mas o que a natureza fez, não se compara. Mas isso é outra história, que num tem nada haver com a gente, e só comento a reportagem para vocês terem idéia do nível do lugar. Achei o povo lá, os que tivemos contato, até muito gente boa. Um deles virou para o Pitts, perguntando como é que ele chegou com a Rural lá. “Funcionei o motor, coloquei tudo dentro, e vim”, foi o que ele respondeu. O cara tem uma Rural também, e também é de Belorizonte. Não teve coragem até hoje para fazer uma viagem dessas não sei porque, e achou o maior barato a nossa empreitada.

O caso mais legal no condomínio foi na portaria, durante a chegada. Eu vinha na frente, e enquanto um dos porteiros terminava a identificação, veio um outro e precatou um adesivo no vidro da Faustina. Olhei prá ele e comecei o teatrinho chorando, dizendo que ele tinha pregado um adesivo na minha Rural novinha. O caboquinho ficou num aperto danado, e a única reação que teve foi me dar uma cartela de adesivos de presente. Ele não entendeu o que eu dizia, porque eu estava “chorando”.  Na verdade eu disse que ele pregou o adesivo bem na minha frente, e muito baixo também. O limpador de pára-brisa arrancou ele quase todo, e eu o restinho que sobrou. A Rose perguntou como é que iríamos entrar no condomínio sem o adesivo. Primeiro eu tinha mais meia dúzia deles dentro do carro, segundo é que se algum porteiro visse duas Rurais chegando, já ia abrindo a cancela, pois com 99,99% de chance, éramos nós.

Fomos nas duas Rurais, e éramos oito pessoas, sendo que eu, Rose, Lívio e Sabrina fomos de  Faustina;  o Pitts, Selma, Vinícius e Patrícia na Justina. Claro que o Chico estava conosco, e a Nicolle da Sabrina veio junto também. Na Rural do compadre Pitts veio a Pedrita. Somando tudo, oito pessoas e três cachorros.  

Na verdade o destino mesmo era Capitólio e não o condomínio. Cidadezinha bonita, tranqüila como gostamos. Escarpas do Lago entrou no meio só porque ficava bem mais barato alugar uma casa com todo o pessoal, que ficar em pousada. Até que o condomínio é legal, com tudo que se tem direito lá dentro, inclusive os barcões rebocados à jerico, e os barquinhos, rebocados por automóveis mesmo. Deu prá ver tudo, na meia hora de passeio por dentro do condomínio. Mas num é isso que queremos, num é isso que gostamos. Então, vamos às cachoeiras, estradas de terra, e até passeio civilizado na Usina de Furnas, com direito a passar de Faustina por cima da represa.

O ruim de uma viagem dessa, e num tô nem ai para a reportagem do jornal, é que Capitólio é muito próximo do interior do oeste de São Paulo. Num tenho e nunca tive nada contra paulista, e até admiro com veemência as paulistas, mas na verdade, o fato é que eles tem mais dinheiro que a gente, e onde passam inflacionam tudo. Já viu pagar prá entrar em cachoeira ? Lá é tudo assim. Pagar prá entrar na Serenata da D.Bilinha é uma coisa, pois R$ 7,00 com almoço incluído, e que almoço, qualquer um paga. Mas 10,00 contos por cabeça só prá molhar o pezinho na água é dose. No caso de uma próxima ida até lá, muito perigoso eles inventarem de cobrar de bicho de estimação também. Ai entro com o Chico pelo rio, onde ninguém pode cobrar ! Como cobram, acham que tem obrigação de colocar infra-estrutura. Cachoeira civilizada, fica sem graça. É caminhozinho, plaquinha, escadinha e até corrimão prá todo lado. Estragam o lugar achando que estão fazendo o bem.

Essa foi a primeira grande viagem da Faustina. Foram 985 Km no total, e tirante as macacuas de carro recém feito, ela se comportou muito bem. O problema mais sério foi numa volta prá casa à noite. O farol apagou completamente. Tinha mudado o relé dele de lugar por causa da forração, e o danado isolou do terra. Um pedaço de fio do compadre resolveu muito bem o problema provisoriamente. Já tinha ido com ela à Carmópolis de Minas, o Japão, mas essa foi uma viagem mais curta, mais prá teste, tanto que na volta do Japão fiquei mais de 10 dias consertando defeitinhos nela. Carro velho reformado é assim. Tem que reformar, depois tem que "acertar".

Gostoso demais da conta viajar de Rural. Aliás, qualquer carro mais velho é gostoso, cada um com suas caracteríscias, desde que tenha mais de 30 anos. Assim a aventura começa ao dar a partida. Mas num é aventura por medo de ficar no caminho não. Carro velho faz o que qualquer outro faz, ou até mais, pois tem recurso. E se der defeito é até mais fácil de consertar, ou até chegar com ele em casa, prá consertar depois. Já me aconteceu isso um montão de vezes. Defeito em carro novo, só reboque resolve...

O difícil de viajar com a Faustina está sendo outra coisa: A Rose. Acha que o carro é prá rodar a 100 Km/h direto. O gostoso mesmo é viajar devagar, apreciando a vista, conversando e olhando as rodinhas do odômetro rodarem dentro do velocímetro. Estava comentando isso com o compadre Pitts, e ele me dizia que pensa o mesmo, e até completou: "Gosto de ver as faixas da estrada ficando prá trás". Sabem que ele tem é razão? Num tinha pensado nisso, mas além das rodinhas do odômetro, faixa de estrada também é diversão na viagem...Acho mesmo que a Rose esqueceu que a Faustina é Jeep, só porque tem portas e vidros. Ela é até mais lenta que o Edwaldo, pois tem diferenciais mais reduzidos. Mesmo assim mantenho médias mais altas com ela que com o Edwaldo. Acho que é por causa das portas e vidros !

O Pitts estreiou o Lívio no volante da Rural dele. Eu já tinha deixado ele dirigir o Edwaldo em Tijucal. Era com ele que eu estava conversando quando cai numa vala e o Zé Carlos me rebocou mais uma vez, lembram?  Coitado do Lívio. Fica sempre doido prá dirigir um carro velho, mas ele só tem novo para usar.

Encontrei o Paulo Pinto em uma das cachoeiras. Ele estudou engenharia comigo, e estava com a mulher e a filha. Ficamos amigos, não do Pinto, mas da Lucélia e da Paula. Parece que fiz um trocadalho do carrilho... É lembrança da faculdade. Tinha lá o Fernando Piru e o Paulo Pinto. O Piru do Fernando era apelido, mas o Pinto do Paulo era nome mesmo. Naquele tempo sempre um gritava: "Chegaram atrasados de novo, professor! Poe o Piru e o Pinto prá fora!... " Na hora de ir embora, despedi do Paulo: "Tchau Pinto", despedi da Paulinha: "Tchau, franguinha !", e quando ia despedir da Lucélia o Paulo Pinto gritou: "Num vai falar Tchau Dona Galinha não, porque ai vou apelar !..." Divertida a turma. Com essa história de Jeep sempre fazemos novos amigos, ou, como nesse caso, refazemos, reencontramos.

Deu para fazer uma pequena trilha com a Faustina. E até tração e reduzida usei. Bati o tanque no chão, fazendo dois amassadinhos nele. Tanque novinho, pintadinho. Estou acostumado com o Edwaldo, que quando pega a traseira no chão, pega é no "arado", aquele reboque que coloquei na traseira dele, pois só os Jeeps mais antigos vinham com ele originalmente. Aquilo não estraga de jeito nenhum, e, se ele ficar com as rodinhas traseiras no ar, é só puxar a alavanquinha de tração, que ele arrasta e sai do enrosco. Acho que não entro com ela na terra novamente não! Fica amassando e sujando os parafusos dela... Será?!

        Outro barato que achei na cidade, foi no supermercado. Além de embalar as compras, o ajudante leva as sacolas até dentro do carro. Insisti prá ele largar disso, que eu mesmo levava. E ele respondeu: "Não senhor! Deixe eu levar, se não perco o emprego". Os supermercados maiores daqui deveriam fazer compras ao menos uma vez por lá...

        Essa viagem foi no feriado de 12 de outubro. Na segunda 16 seria meu aniversário, não sei de quantos anos. Essa dúvida só a Rose prá ajudar a esclarecer. Fico confuso com idade, desde a batida da minha Kombi no Gol do Temístocles, na BR 381,  próximo à Refinaria Gabriel Passos. Tinha 27 na época, mas confundi e disse 28 ao guarda que fazia a ocorrência. A Rose retrucou e disse que era 26. Até hoje continuo confuso! Para ver como são as coisas: Hoje o Temístocles é cliente lá da empresa... Mas para comemorar tão importante data, o povo fez uma festinha surpresa prá mim no sábado, com direito a bolo, vela e tudo... Não podia 'largá' barato, eu, 'pissuidor' de carro de fazendeiro graduado, pois não vamos esquecer que eu tava era de Rural, ainda mais em Escarpas do Lago. Tive então que tomar minha champanha, acompanhado do meu chapéu de palha, com o "didinho fazendo chalme", como de costume. E champanha da boa, muito mió que os Merlot's e Cabernet's da Rose. Essa ficou muito mais gostosa no canequinho de alumínio que tinha na casa. Fiquei metido que nem pobre andando de táxi...

Falando em metideza, gostava muito quando o povo passava naqueles 'carrão' arrumado, e quase quebrava o pescoço virando prá trás, admirando as duas. Quais? A Verde e a Vermelha ! Tô certo que ao menos torcicolo um deles arrumou !

Até a próxima,  

19/11/2006.

 

   Walter Júnior - B. Hte. -

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