Válvula Termostática


Tô Bão !

A válvula termostática está associada a uma das maiores lendas automotivas que conheço. Já vi mecânico bom dizendo que joga todas fora. "Jeep não precisa disso não!", costumam dizer. E tem muito dono de carro que acredita. Chega na oficina, o mecânico arranca a válvula termostática, não gasta peça alguma, cobra só uma cervejinha, e aparentemente resolve o problema. E assim a lenda vai se espalhando... Essa parte da mecânica, a transferência de calor, é muito mais abrangente que se imagina. A refrigeração do motor foi arduamente calculada e testada, e incluiu a válvula termostática originalmente no sistema. Não é para qualquer um Zé Guela ir arrancando ela, dizendo que não serve para nada, sem saber que entre o bloco e o radiador existem mais coisas que essa vã filosofia...

Todo motor refrigerado à água precisa da válvula termostática. Principalmente os automotivos. Pode até ser que em algum motor estacionário o uso dela seja dispensável. Mas motor de carro tem que ter.

Sem a válvula termostática vai ocorrer o seguinte:
- Você vai trabalhar quase sempre com o motor com a temperatura abaixo do normal. Pega uma longa descida, de banguela mesmo, e no final dela o motor estará frio. Com a queda da temperatura de serviço, as peças do motor vão contrair, "juntando" mais umas nas outras. Principalmente as camisas dos cilindros, o que vai dar em um desgaste maior por trabalharem mais justas nos anéis de segmento dos pistões. Se o treim tá mais apertado, vai esfregar com mais força um treim no outro, né ? Tão falando de motor, sô ! Prestenção !

Se na mesma descida você não for de banguela, mas engrenar o carro, a temperatura vai cair ainda mais, por causa da maior circulação de água e pela maior ventilação, forçada pelo ventilador. Isso se dá pela maior rotação da bomba d'água, que tem a hélice do ventilador precatada nela.
- Você terá uma maior oscilação da temperatura do motor, alternando entre quente e frio, o que vai aumentar o consumo de combustível. Isso também vai fazer o cabeçote, ou tampão, dar mais vontade de empenar, e conseqüentemente queimar a junta.

Com a válvula termostática instalada você não vai precisar esquentar com nada disso, pois ela vai fazer a temperatura do seu motor ficar o mais constante possível. Possível sim, pois mesmo com ela a temperatura oscila, só que muito pouco.

A lenda que Jeep não precisa de termostática, que ela só dá problemas eu já desvendei. Primeiramente, os mecânicos que as arrancam, dizendo desnecessária, às vezes são tão ruins que não sabem detectar o porque do aquecimento excessivo. Pode ser o radiador, bomba d'água, anéis de segmento travados, válvulas presas, ponto de ignição errado, enfim, as causas são várias, mas muito mais fácil arrancar a termostática que descobrir o que está acontecendo realmente. Tem também os motores dos Jeeps que trabalhavam na roça, sem a termostática, demoravam um pouco para atingir a temperatura normal. Mas depois até que mantinham ela mais ou menos constante a temperatura. Trabalhavam com pouca velocidade, eram quase que um motor estacionário, e mantinham um regime em que a termostática estaria totalmente aberta. Sem ela, parecia tudo correto, o que induzia ao erro dela ser desnecessária. Além disso, as termostáticas originais dos motores Willys, as antigas que eram feitas em latão, como as Tempermatic, tinham um tipo de construção frágil, apesar de ser as válvulas mais rápidas que já vi. Regulam a temperatura com extrema precisão, mas elas simplesmente dão folga no seu corpo e saem enjambrando tudo, travando, e com pouco uso. Aprendi isso quando achei quatro relíquias de época. Quatro termostáticas originais dos motores Willys, e comprei todas, por uma pechincha, bem baratinhas. Acho que foi R$ 10,00 nas quatro, e o vendedor disse: "Fica uma pelas outras, pois não sei se estão funcionando". E uma dessas quatro não estava funcionando mesmo. Coloquei uma no Edwaldo e outra na Faustina. A do Edwaldo, com 8.000 Km rodados, travou durante um passeio. Sorte é que travou aberta, o que simulava exatamente a falta da termostática. O motor esfriava toda hora, mas para um percurso pequeno não teria maiores problemas. Troquei por outra que estava na reserva, que está rodando até hoje, e já tem 12.000 Km. Já a válvula da Faustina elocubrou com 5.000 Km, durante a viagem à Araxá. Travava toda hora, só que dessa vez tinha mania de travar mais fechada, dando mais trabalho. Até que uma hora travou mais aberta, a temperatura ficou ligeiramente abaixo do normal, e pau na máquina !... Troquei quando cheguei em casa.

Existem válvulas que servem no bocal dos Willys BF, com ampla gama de temperatura, inclusive os pretendidos 80ºC. Só que não são comerciais, e são mais difíceis de encontrar. Por esse motivo é que falam de adaptação de válvula, que soa estranho, mas é compreensível. Uma boa opção é a válvula de 77ºC, aplicadas nos Corcel/Belina/Pampa e Gol/Parati/Saveiro, com o motor Renault, o também chamado CHT. Com essa temperatura de 77ºC elas se aproximam mais da de 80ºC originais. As usadas nos GM, tanto o 151 quanto o 250, também servem, só que comercialmente acha-se delas com 75ºC, apesar de essa válvula também ser fabricada com maior gama de temperatura. Isso ! Existem várias temperatura da termostática para um mesmo motor, dependendo do ano de fabricação. Provavelmente é função do clima em que o motor trabalha. Mas a melhor válvula mesmo, barata e fácil de achar, é VW Gol AP Gasolina fabricados até 85. Elas são comercialmente de 80ºC, temperatura exata para os Willys BF. O que quero dizer com comercialmente que são mais fáceis de serem encontradas no mercado. Mas essas últimas tem um inconveniente de incorporar uma válvula para o by-pass do motor, na parte de baixo da válvula termostática. Essa é a válvula que uso agora em meus motores Willys, e para tal apenas faço uma fácil adaptação, cortando a parte de baixo dela. Isso será mostrado à diante, e com as fotografias verá que é facílimo o procedimento. Fora essas, e caso dê sorte, poderá achar uma válvula termostática com a mesma construção dos motores "CHT", ou dos GM, e já fabricada para os 80ºC. Ou então a válvula termostática dos Suzuki Grand Vitara, ou Chevrolet Tracker (Argentino Suzuki), que são exatamente a válvula do BF, com 80ºC e mesmas dimensões, sendo somente muito mais caras, e não me pergunte porque ! Com qualquer dessas opções com 80ºC, você terá uma válvula termostática de BF !

Daqui em diante faço uma dissertação do que passei com o motor da Faustina, tentando não abrir mão da válvula termostática enquanto o motor amaciava. O motor foi retificado e ficou muito preso, duro. Até parece que as camisas foram retificadas numa medida errada para os pistãos. O motor aquecia muito em subidas longas e isso me deu bastante dor de cabeça, até o motor amaciar parcialmente. E isso com 25.000 Km rodados, pois motor Willys é bem próximo à um motor de caminhão:

Para a Faustina desta vez comprei uma MTE-Thomson, original para motores GM, com 75ºC para a abertura final. Assim guardava a minha última original para o motor Willys como recordação e esquecia os problemas que ela costuma dar. Só que com essa desvendei mais ainda a lenda em que o pessoal fala que termostática é besteira. Essa válvulas MTE-Thomson, tem área de passagem da água um pouco menor que as originais do BF, e mesmo com temperatura de abertura mais baixa que os 80ºC do BF, podem dar algum problema de elevação da temperatura, pois a área menor restringe a vazão. E com menor vazão, qualquer pequeno entupimento no radiador, ou o motor amaciando, como o da Faustina, pode resultar em aquecimento. Entupimentos no sistema de refrigeração não era meu caso. Eu tinha era um motor recém retificado, justo demais, então, o jeito foi adaptar essa válvula. O que os mecânicos aconselham nessa situação, é a retirada da válvula até o motor amaciar, mas eu queria a presença dela, mesmo que não trabalhando tão corretamente, o que seria melhor que se não tivesse válvula alguma. Cortei a mola dela, adulterando a válvula, permitindo que abrisse mais que o normal, aumentando com isso o fluxo pela válvula. Esse corte da mola deve ser feito com paciência, pois se cortar demais, a válvula não irá fechar corretamente quando o motor tender a esfriar, se cortar menos, a temperatura ficará alta. A temperatura abaixou, e o motor até teria condição de rodar, mas estava ligeiramente mais alta que eu queria. Retirei a válvula novamente e fiz dois furinhos de 2 mm no flange dela. Melhorou, mas ainda não estava bom. Retirei novamente e recortei um pouco o bocal. Ele é cônico, e com isso aumentei uns 2 mm no diâmetro de passagem do fluxo. Essa mexida toda deu em uns 5% a mais na área da válvula. "Ih! Que saco!", foi minha exclamação ao ver que a temperatura de trabalho do motor caiu novamente, mas não o tanto necessário. Apelei e fiz mais quatro furos de 2 mm, e também alarguei os dois primeiros para 3/16". Fiz isso com receio de perder a válvula, pois muitos furos no flange não permitiriam o motor aquecer rapidamente, que é uma das maiores vantagens da válvula termostática. Testei a modificação e feliz disse: "Agora sim!... a temperatura ficou correta". Pelo menos em situações normais e no trânsito urbano a temperatura estava certinha, e o motor aquecia quase tão rápido quanto com uma válvula sem mexidas. Isso até irmos à Serra da Piedade. Sabia que seria o teste definitivo dessa válvula MTE-Thomson fuçada e com os recursos de adaptação esgotados, pois o trecho da viagem seria mais crítico. Tem quase que só subidas da barreira de Caeté até o topo da Serra, pois a BR 262/381 nesse trecho também é uma travessia da Serra do Espinhaço. Um ligeiro aquecimento no meio do caminho me chamou a atenção, mas a temperatura logo desceu. Não gostei, pois motor de Jeep não é para fazer isso nunca. Ao subir a Serra da Piedade propriamente dita a cobra fumou e o motor aqueceu mais que devia. Passou um pouco do ponto máximo, mas não ferveu e chegou ao topo sem paradas. Lembre-se que nos manuais do proprietário, a Willys dava como temperatura correta desde1/2 até 3/4 na escala do marcador. Na hora da descida a cobra fumou novamente, só que do avesso. É descida demais, segurando o carro de 3ª e 2ª o tempo todo, e isso com tempo frio. O motor demorou muito a aquecer, o que denunciava que os furinhos na válvula estavam demais e a válvula estava mesmo sucatada, pelo tanto que fuxiquei nela. Não estou querendo dizer que as válvulas MTE-Thomson não funcionam no BF. De forma alguma, e até afirmo que são de ótima qualidade, não devendo ser mexidas como eu fiz. Fuxiquei nela mais a título de experiência, e pode estar certo que essas peças são rigidamente calculadas e fabricadas, não aceitando atrevimento algum de nenhum orêia seca metido a fuxicador, alguém assim como eu, por exemplo. Ela apenas não deu certo no motor da Faustina naquele momento, com ele ainda novo, justo demais e amaciando, e só estou contando isso para dividir essa experiência. Já sabem que motor retificado é bem diferente de um novo, né ? Mas, infelizmente, só é possível ter um motor Willys BF retificado atualmente. Novo, zero, nem pensar em achar...

O recurso que me sobrava era tentar encontrar uma válvula de 54mm com maior área de passagem de fluxo, ou adaptar uma de 67mm, que tem essa área muito maior. Aliás, as válvulas mais comuns são fabricadas com diâmetros de 21/8" e 25/8" (54 e 67 mm), e quase sempre com mais de uma temperatura de abertura. Nunca tentei, mas talvez uma válvula de 67 mm de diâmetro possa dar certo. Ela não irá montar no motor Willys BF, mas pode ter o flange cortado para que isso aconteça. Pelas medidas com paquímetro, é possível essa adaptação. Ela é trabalhosa, mas essa válvula tem área para passagem de água muito grande, e deve trabalhar muito corretamente com os motores Willys BF 161 e BF 184 que tenham problemas de aquecimento excessivo, como o motor da Faustina tinha nessa época. Essas válvulas maiores são aplicadas normalmente em caminhões. Só que dessa vez dei sorte, e encontrei uma termostática Wahler de 54mm e 75ºC, que tem maior área de passagem de água como eu queria. Montei e pronto, problema algum ! De vez em quando a temperatura de trabalho fica um pouco abaixo do normal, nas banguelas mais longas. Vou rodar mais um pouco, até amaciar o motor. Caso essa válvula continue com isso, providenciarei uma válvula termostática de 80ºC, que é a correta para o BF. Fui também descobrindo cobrindo com o tempo outros problemas que faziam o motor da Faustina aquecer. O problema principal era o amaciamento realmente, principalmente dos cilindros e anéis de segmentos, problema que e que ainda perdura com 15.000 Km rodados-Motorzinho bruto, duro de amansar, né ? Mas as válvulas prendendo, que também é parte do amaciamento, tubo de descarga com diâmetro de 11/2", ligeiramente menor que os 13/4" originais, e os avanços do distribuidor com uma curva errada, também eram alguns dos outros problemas que o motor tinha. O mais difícil foi acertar os avanços do distribuidor, e isso só foi possível porque eu tinha como exemplo o distribuidor do Edwaldo, 100% original e funcional nessa parte de avanços.

Voltando às termostáticas, acho que uma mesma válvula vai funcionar diferentemente de carro para carro. É provável de ser pelo estado do radiador, que pode ter algum entupimento, ou pela bomba d'água, que apesar de serem todas iguais, devem dar alguma alteração de vazão de uma para outra, pois são fundidas em ferro, com acabamento muito tosco. Sem contar as diferenças de regulagens de velas, válvulas, carburador, ponto e daquele recursinho que o carro tem e fica entre o banco e o volante.

As válvulas termostáticas que se acham hoje, duram infinitamente mais que as tais originais, devido ao material empregado e ao tipo de construção. Prefiro as válvulas confeccionadas em inox, por ser um material mais resistente, mas as de latão também funcionam bem.

Sempre testo a válvula termostática antes de montar no motor. Mesmo nova e sem uso, pois peça nova também dá defeito. O bom mesmo é usar um termômetro enquanto aquece a válvula em água quente, medindo com uma escala a abertura, mas comparar a abertura com outra válvula dará certo também. Verificar, ou até varetar o radiador, para desentupir as galerias da colméia, é uma boa providência. Outra boa idéia, antes de sair fuxicando na termostática, é fazer uma afinação no motor, regulando velas, platinado, ponto, carburador e as válvulas do motor. Motores desregulados podem apresentar temperatura de trabalho acima da normal, e nisso você pode ficar culpando a válvula termostática à toa.

Quem tem medo de válvula termostática, pode perder, pois ela só faz bem ao motor, e se der defeito é fácil de ser retirada com uma simples chave de 1/2". Tem também um jeito mais ignorante de resolver este problema no meio de uma trilha, longe de maiores recursos, se é que uma chave de 1/2" é recurso. Com uma chave de fenda retira-se a abraçadeira da mangueira do radiador no bocal do motor, e com a mesma chave de fenda dá uma judiada na coitada da válvula, empenando e fazendo um pequeno buraco. Liga-se a mangueira, completa-se a água, e pau na máquina até o buteco mais próximo, para tomar uma e aliviar tanto stress. Complete a água com o motor funcionando, viu ? Caso contrário, um choque térmico pode empenar o cabeçote e queimar a junta. Também não se esqueça de ir olhando o marcador de temperatura. Se ele subir, o motivo é que o buraquinho e a judiada que que a válvula tomou, foram poucos. Repita o procedimento, abra outro buraco, e continue seguindo em direção ao buteco mais próximo. Se a temperatura estiver ok, pode continuar o passeio sem medo, e trocar a válvula somente na volta. Mas se foi só nessa hora que você lembrou que todas as suas ferramentas estão emprestadas com aquele amigo enrolado que não devolve nada, ou que esqueceu elas no cantinho da garagem, vai ter mesmo é que ir no anda um pouquinho, para um tantão, e espere o motor esfriar... Bem feito ! Jeep tem que ter uma chave de fenda, um alicate e um pedaço de arame. Com isso é muito difícil dele parar.

Seguem as fotos da válvula termostática para o BF 161 e BF 184, bem como a tentativa que fiz para o motor justinho da Faustina, adulterando a válvula termostática dela.

Abraço à todos,

18/03/2004

Walter Júnior - B. Hte. -
waltergjunior@waltergjunior.com






A afirmação que a termostática deve ser retirada apenas para substituição.

Manual do Proprietário da Rural, na parte que trata da válvula termostática
Este manual é mais categórico. Afirma que nem deve fazer o motor funcionar sem a termostática.
Tive acesso até hoje aos manuais da Rural 62, 63 e 68. O texto é idêntico em todos.

Reprodução do Manual do Mecânico Willys, da parte que trata da válvula termostática
Estranhamente o Manual do Mecânico Willys dava que as válvulas termostáticas eram usadas em regiões frias. Acredito que isso é um erro,
provavelmente porque o Manual que tenho é muito antigo, e todos os carros Willys
saíam com a válvula de fábrica, independentemente
de onde trabalhariam. Todos os carros que conheço também não consideram isso, e como os Jeep's, todos tem a válvula termostática de fábrica.
Mesmo em uma região mais quente o motor vai demorar alcançar a temperatura de serviço, e esfriar demais quando estiver funcionando
como "freio" (reduzidas), oscilando a temperatura. Não considero que o clima dite o uso ou não da válvula.

Um clima quente pode requerer uma válvula com maior área, e conseqüente maior vazão, ou mesmo um radiador com maior capacidade.

A temperatura de abertura máxima da válvula não influirá nesse caso, e sim a vazão no sistema, e a área de troca de calor do radiador,

que no caso dos Jeep's é fixa - só existe um tipo de radiador para todos os carros Willys, até onde conheço.

Especificações do Manual do Mecânico Willys para o sistema de arrefecimento
Temos os dados da válvula termostática original dos BF's. A temperatura de trabalho, que é de 80 a 90ºC, corresponde
a3/4 da escala do marcador

Carcaça de válvula termostática que estava montada no Edwaldo
Fabricada pela Robertshaw para a Motocraft-Peças Originais Ford.

Estava no Edwaldo quando compramos ele, e não sei era usada no motor Willys BF. Só ví essa
até hoje, que foi alterada, tendo partes retiradas, provavelmente por algum defeito.

Estava funcionando somente como uma retenção de fluxo. Até que a temperatura de trabalho era correta
mas, faltando partes, ela permitia que o motor esfriasse rapidamente,em uma banguela, por exemplo.

Também demorava para aquecer, pois ela simplesmente não funcionava.


A válvula termostática do Edwaldo, que prendeu aberta em um passeio.

Ela está funcionando, mas como já agarrou uma vez, troquei para não ter surpresas. É uma "sanfoninha" fabricada pela Tempermatic, e com 80ºC.
Dá para ver um furinho com um "brinquinho" cravado, que vibra com a passagem do fluxo, o que ajuda a válvula não agarrar. As vantagens dela é que

tem maior chance de, se caso travar, travar aberta, e a maior rapidez para regular a temperatura, devido o seu tipo de construção.

Com ela a temperatura oscila menos. Só que é frágil, e tem vida útil reduzida. Mas não se preocupe com ela, pois não vai ser encontrada quase

que de jeito algum! A outra válvula é uma MTE-Thomson, confeccionada em latão, para 77ºC. Uma mesma válvula pode ser fabricada com

diferentes temperaturas de abertura, devido o motor que deve ser aplicada, ou ao clima em que estiver trabalhando.

Estas são as válvulas da Faustina.

A "original", toda torta e enjambrada com 5.000 Km (80ºC), ainda funcionando, mas agarrando. Ela é de construção mais

frágil, e tende mais a agarrar. A MTE-Thomson em inox (75ºC), aplicada nos motores GM 151 e 250. Dá prá ver

facilmente a diferença da construção das duas, tendo a MTE-Thomsom maior robustez e conseqüente vida útil.

Ocorreu dessa válvula não dar certo, pois o motor dava temperatura além do normal. Parti para tentar adaptá-la.

Corte da mola da válvula da Faustina.

Usei uma retífica com disco de corte. Isso na verdade não é uma adaptação, mas sim uma adulteração...

Fui cortando a mola aos poucos, e comparando a abertura da válvula com a de outra original de sanfoninha, cozinhando as duas em água quente.

Montei no carro,a temperatura reduziu,mas ficou um pouco mais alta do que eu queria.Retirei a válvula novamente,fiz dois furos de 2mm no flange dela.

Continua a adaptação da válvula da Faustina.

Como a mexida acima resultou em uma temperatura ligeiramente mais alta, retirei novamente a válvula, alarguei os dois primeiros furos para 3/16",

e fiz mais quatro furos de 2 mm. Não é muito aconselhável fazer muitos furos na válvula, pois assim o motor vai demorar muito a atingir

a temperatura de serviço. Também cortei um pouco no bocal da válvula, que é cônico, o que deu para aumentar o diâmetro dele em 2 mm mais ou menos.

Como a área varia com o quadrado do diâmetro, deu para crescer uns 5% na área da válvula.

É serviço de paciência, adaptar uma válvula termostática, um tira e bota danado. Mas compensa, pois o motor vai durar mais, e consumir

menos combustível. Só que no caso da Faustina, essa adaptação não deu muito certo, e coloquei essa Wahler logo ai abaixo.

A válvula termostática Wahler que coloquei na Faustina, e deu certinho...

Era uma válvula de 77ºC, e para o momento de amaciamento do motor funcionou corretamente.

A válvula termostática de 54 mm, comparada com uma de 67 mm.

Cortando o flange externo, existe condição de adaptar uma válvula de 67 mm nos BF 161 e 184. Dois pequenos entalhes farão esta

válvula encaixar no bocal de alumínio do BF. Neste caso, deverá ser aplicada uma válvula de 79ºC ou 80ºC, pois existe das duas. Essa

válvula tem uma grande área para passagem do fluxo, até mais que as originais dos BF, pois é aplicada em motores maiores, como os diesel de

caminhão. Com a temperatura de trabalho de 80ºC, igual a dos BF, ela vai tender a não trabalhar completamente aberta sobrando mais abertura

caso o motor seja muito solicitado e aqueça mais. Acabo adaptando uma dessas, se a do Edwaldo bichar. É apelação, mas quero ver qual é !

A válvula termostática Wahler, fabricada para a Motorcraft-Peças originais Ford.

A válvula termostática Wahler comparada com a MTE-Tomsom

A diferença de área das duas é facilmente vista. O único problema das MTE-Thomson é que não foi feita para e nem dá muito certo

no BF 161. Ela tem abertura com menor área, o que não permite uma vazão correta para o BF, retendo mais o fluxo. Caso use essa no

motor Willys BF, e a temperatura ficar correta, ótimo, pois a intenção é que ocorra isso mesmo. Mas melhor colocar uma Wahler de uma

vez, para não ter que trocar caso a MTE-Thomson não dê certo. Observação bacana sobre essas duas válvulas, é que são para 77ºC,

e ambas são aplicadas nos Corcel/Belina/Pampa e Gol/Parati/Saveiro, com o motor Renault, o também chamado CHT. Com essa temperatura

elas são boa opção para se colocar no BF.

Resumindo essa fuzaca toda:

Não deixe seu motor sem a válvula termostática, qualquer que seja o seu carro ou clima da sua região. O seu uso vai economizar combustível e aumentar, e muito, a vida útil do motor.

No caso dos motores Willys BF 161 e BF 184, que estão fora de linha desde 1975, não existe mais uma válvula termostática específica para eles.

A lenda que válvula termostática só dá problemas no Jeep e Rural, é somente por causa da fragilidade de construção das válvulas antigas, que nem se acham mais, ou por causa da aplicação de uma válvula que não permite a vazão necessária para o motor, que no nosso caso, gente que "pissui" carro Willys, é o motor BF 161 ou BF 184. Tem também o Manual do Mecânico Willys, que induz ao entendimento que a válvula não seria usada em regiões ditas não "frias".

Existem muitas marcas de válvulas termostáticas, mas as de boa qualidade e de facilidade de ser encontrada são as MTE-Thomson, e Wahler. Para o motor Willys, a válvula deverá ter uma temperatura de abertura o mais próximo possível de 80ºC.

Uma válvula MTE-Thomson, que é de boa qualidade, pode não trabalhar corretamente nos motores Willys, por ter diâmetro útil menor e não permitir a vazão que às vezes possa ser necessária. Alguns motores "pedem" vazão maior, dependendo do clima onde trabalha, das diversas regulagens e da condição do motor. São muitas variáveis que brincam conosco...

As válvulas Wahler, de 54 mm, tem área até maior que as originais do BF, sendo mais aconselhável a sua aplicação. E não tem adaptação alguma. É montar no lugar, e pronto !

A temperatura de abertura total da válvula termostática do motor Willys BF é de 80ºC. Na Faustina montei uma de 75ºC, que deu certo, mas a temperatura de trabalho às vezes fica ligeiramente baixa. Trocarei por uma válvula de 80ºC, que é o certo. Temperaturas inferiores a 75ºC não são aconselháveis, pois o motor pode trabalhar muito abaixo da temperatura correta, simulando a falta da válvula, o que aumenta o consumo e diminui a vida útil do motor. Solta o carro numa banguela comprida em uma estrada que vai ver. Aqui em Minas Gerais a gente tem muita descidada de serra, e se for em rodovia, é fácil de ver a temperatura cair demais.

Nos manuais do proprietário, a Willys dava como temperatura correta de trabalho do motor, desde1/2 até3/4 na escala do marcador.

Tabela comparativa das áreas de passagem de fluxo, para as diversas válvulas

Fabricante

Imagem Diâmetro Externo
do Flange

Área Útil

Aproximada (mm2)

Robertshaw

Original do BF

21/8" (54 mm) 536

Tempermatic

Original do BF antigo

21/8" (54 mm) 714

MTE-Thomsom

Tem área útil menor

21/8" (54 mm) 566

Wahler

Tem área útil maior

21/8" (54 mm) 767

Wahler
Aplicada em Caminhões

Possível ser adaptada nos BF

25/8" (67 mm) 1288




Agora sim, a válvula definitiva de 80ºC.

A melhor solução para o Willys BF.

É uma adaptação da válvula termostática do VW AP até 85.

Essas válvulas são baratas e fáceis de serem encontradas. Tanto que dá para comprar 5 delas com o preço de somente

uma do Suzuki Grand Vitara ou Chevrolet Tracker (Suzuki), que são as válvulas que conheço que é comprar e montar.

Mas a adaptação da válvula do VW AP até 85 é fácil, e compensa pelo preço.

 

Só não me pergunte o porque da diferença de preço entre peças tão semelhantes. Parece ilógico, num é ? Por isso é que sempre procuro comprar peças pelo código,

e não pela aplicação. Tem peças que você compra para Jeep pelo dobro do preço da mesma peça para Corcel, por exemplo, mesmo sendo peças iguais, idênticas,

intercambiáveis. Então, peças para Vitara e Tracker tem que custar muito mais caro que a mesma peça para VW Gol. É a lógica vulcaniana nos ajudando com nossos carros.



A válvula indicada

Comprei uma MTE-Tomsom VT 288.80. Com esse código você não erra a hora de comprar.

Poderia ter comprado uma Wahler similar, que até prefiro, mas é mais difícil encontrar.

As diferenças

Essa válvula possui um flange embaixo, que tampa um

by-pass no cabeçote dos VW AP, e não é necessário nos Willys BF.


Começando a adaptação

Cortei a cravação do flange no esmeril.


Corte do "eixo"

É só prender na morsa e cortar com a segueta (Arco de serra).


A válvula pronta

Não é necessário, mas limei o corte para um melhor acabamento.


Duas felicidades

Além de dar por terminado as aventuras com as termostáticas da Faustina, montando a válvula correta,

tive a companhia do meu Zequinha na montagem. Ele já vai aprendendo a conservar os carros.