Agarramos no Travessão  !
Esse título é homenagem à história de 22/08/2005. O destino foi o mesmo, e a agarrada foi ainda mais perto do Cânion do Travessão

  Tô Bão ! 


        Em 14/10/2015 mandei para a Lista da Rural um comentário sobre os presentes do dia das crianças. Falava do Kichute que consegui comprar para o Artur, um número 28, coisa rara de se achar hoje em dia. O Sérgio de Santos/SP ficou doido para comprar um para ele. O texto é o que se segue:

        "Dia das crianças. Dia de presente para os meninos. Minha Zequinha ganhou bastante, inclusive uma caixa com 24 batons da Moranguinho, que mamãe comprou prá ela. Achei absurdo, mas papai explicou que 6 são dela, a dúzia e meia de resto é para dar de presente às amiguinhas. Meia dúzia também é absurdo, menor mais é.
         Meu Zequinha ganhou a mesma tacada, mas ganhou um especial que comprei prá ele. Sei que vai fazer inveja nos meninos da escola dele, mas paciência. Segue o retrato do presente. Depois mando quando ele estreiar.

         Prá num dizer que eu num disse de Rural, já tô com a Faustina pronta e abastecida. Amanhã saímos de madrugada rumo à uns lugares ruins, cheios de água e quedas d'água. Fazer o que ? Espairecer..."

            O Hélio de Juiz de Fora/MG -quase coloco RJ (não resisti a brincadeira :-) )- comentou:
“Presentaço Walter, fico imaginando eles crescendo, adolescentes, adultos, cheios de histórias pra contar. Histórias de verdade, que só quem vive de verdade tem pra contar. Enquanto isso, os colegas: "cara, passei as férias jogando um jogo novo, irado..." (a vida passando e eles presos, agarrados nos tecnológicos). Triste...
E os seus falando de Jeep, Rural, cachoeira, galinha, vaca, natureza, gente, lugares, amigos. Um luxo ! “ 

         Remendei a história contando nossa viagem que havia terminado no dia anterior, a primeira viagem dos meninos para uma cidade do que eu chamo de Grande Circuito da Serra do Espinhaço. Meu comentário foi o seguinte:

Rapaiz !...

         Viajamos na quinta cedo. Já disse aos meninos, logo ao subir na Faustina, que seria a melhor viagem que já tinham feito. Fomos na Faustina, pois o Edwaldo está praticamente aposentado, ele não cabe todo mundo. Digamos que são férias, sine die prá voltar a trabalhar. Nisso ele fica no paradeiro, queimando vela do 6º cilindro de vez em quando, por andar somente distâncias muito pequenas.

         Mas voltando à diversão, depois de um tanto de cachoeira, fomos ao último destino, um rio limpíssimo, a uns 2 Km abaixo do Parque Nacional do Cipó, sem mais nada prá cima desse ponto. Esse rio nasce dentro no Parque. É o Rio Cipó nascendo para o lado da bacia do Rio São Francisco, e esse rio  nascendo para o lado do Rio Doce, praticamente no mesmo ponto. Eu sempre acho que esses dois rios são gêmeos.

         Sei que o caminho estava ruim, mas dava prá Rural. Desci até um ponto que eu teria segurança para voltar, e que dava prá manobrar virando ela prá trás. O início da volta foi tranqüilo, eu embalado na Faustina, o Zequinha no banco da frente, e a Rose e a Zequinha andando na frente prá sinalizar. Passei por elas numa vala, passei com facilidade deixando elas pra trás, mas não parando prá passar do ponto pior. Sempre acho que prá cima é mais fácil que prá baixo. Continuei tocando já quase saindo da parte pior. Fomos até um ponto em que, num sei se a roda livre direita mascou, ou se fui eu quem não engatou a tração direito, só sei que a Faustina deu uma patinada no cascalho arenoso totalmente solto. Até ai tudo bem, normal. O anormal foi eu insistir, tentando sair. Eu teria que ter descido do carro, olhado, calçado com galhos o caminho prá evitar patinar, conferir se as rodas livres estavam engatando, e se a tração estava engatada. Era só isso que eu teria que fazer, mas estupidamente eu insisti, e agarrei a Faustina nos dois eixos.

         O resultado da presepada é que tivemos que andar 5 Km, a maioria morro à cima. O Chico, com os seus 14 anos, não consegue mais um estirão desses, e tive que levá-lo nas costas. Até que ele se comportou bem com as artroses que tem. A Rose com o joelho doendo, mesmo após a operação que fez em cada um deles. E os dois Zequinhas andando com as perninhas que tem. Os 5 Km para ela valeu uns 10, e para ele uns 15. Mas subiram valentemente, ela sempre otimista, falando que iríamos arrumar recurso no Sítio Bom Jesus que havia visto na ida, e ele dizendo que na estrada de Baltazar arrumaríamos um jeito. Os lugares eram o mesmo, só mudava a referência. E foi isso, o Sr. Raimundo do Sítio Bom Jesus nos levou à cidade na sua D20 cabine dupla. O por do sol na chegada à cidade foi inesquecível, com o sol do lado direito do Pico do Itacolomí, vermelhinho por causa da fumaça do fogo que queima no Parque Nacional do Cipó. Deveria ter fotografado, mas fiquei sem jeito de abusar do Sr. Raimundo. Dei uma calibrada boa no tanque dele, que à princípio não queria aceitar, mas com minha insistência levou também meu agradecimento material.

         Ontem pela manhã, domingo, saímos com um carro e um jerico da Prefeitura, e fomos buscar a Faustina. Ela havia passado a noite lá no Rio de Peixe, no mato, no sereno, sozinha. O Glauber de Ruth ajeitou tudo, e se num fosse ele só hoje é que teríamos tirado ela. O carro voltou uns 8 a 10 Km antes de chegar, e dali prá frente fomos, eu e Glauber, assentados nos pára-lamas do jerico. Nó ! À pé é muito mais agradável, juro.

O jerico, um MF 4275 novinho, com tração nas 4 rodas. O jeriqueiro, muito bonzinho, se mostrou cuidadoso ao começar a puxar a Faustina, vagarosamente. Pensei: “Se for verdadeiro o receio da Rose sobre a possibilidade do jerico não conseguir fazer o serviço, vamos ter que arrumar um D8 prá puxar todo mundo”, mas estava cansado de saber que isso não procedia. Amarrei minha corda, a corda de 24 metros do Edwaldo, e ele foi devagarzinho como deve ser, sem arrancos. A corda correu no início, pois deixo um pouco frouxo os nós mesmo, mas apertou após dar linha de uns metros. Melhor que o Jerico ficou mais longe da Faustina. Na primeira puxada, que o Glauber falhou por não filmar, o jerico traçado afundou as 4 rodas um meio metro. Uma manobra do operador para sair dos buracos que o jerico fizera, uma baixada na alavanca do bloqueio do diferencial traseiro, uns três pulos do jerico e já estava a Faustina subindo a rampa atrás dele, sem esticar a corda. Que força prá fazer a Faustina desagarrar e começar a andar. Acho que um Jeep não conseguiria tirar ela de lá.

Paramos logo em seguida, desamarramos a Faustina do jerico e o Glauber entrou. Ele viu a Faustina subindo com facilidade tudo que era desafio feio que aparecia, apesar de eu achar que prá cima é sempre mais fácil. E comentava "A Faustina é macha !...", a cada enrosco transposto. Concluí que se não fosse a minha burrice no dia anterior, insistindo em seguir com ela patinando sem não olhar o que ocorria, teríamos chegado à cidade sem problemas.

        Me resta o consolo, e que ótimo consolo, que com essa minha falha os meninos passaram por uma aventura e por sentimentos que não esquecerão jamais. Sentimentos de coragem, camaradagem, perseverança, companheirismo, superação frente ao desconhecido, uma verdadeira lição. A Rose também não esquecerá, só que as lembranças dela terão outro ângulo. Sei que vou pagar e escutar isso por muito tempo, no menor probleminha que eu achar em qualquer estrada. Mas no fritar dos ovos, valeu a burrice.

        Putzgrila !... Ficou comprido. Vou aproveitar essa mensagem, inserir mais qualquer coisinha da história, colocar uns retratos e vídeos e por na página do Edwaldo e da Faustina. Essa viagem foi ótima, a estréia dos meninos na Serra do Espinhaço. E nem queriam voltar prá casa mais, por tanta cachoeira, rio, lageados, grutas, bacias, túneis, cânions que conheceram.

Um abraço,  até a próxima,

19/10/2015

Walter Júnior - B. Hte. -

waltergjunior@waltergjunior.com  

 
O retrato do Kichute, novinho, presente para o Zequinha


O primeiro retrato da viagem, na parada para a merenda e a primeira nadada.
Foi no Rio do Tanque, logo abaixo do Cânion dos Marques, e logo acima da Cachoeira da Boa Vista.


Esse rio também é maravilhoso. Ainda vamos na Cachoeira dos Borges, na nascente dele.



Esse é o mata-burro que cai com o Edwaldo em 12/2003.
Eu não tinha retrato dele, mas dessa vez não esqueci. Tem detalhes disso em "Sai da frente,  mata-burro"


Funil. Foi a primeira cachoeira da viagem. Esse é o "buraco", uma formação na pedra onde a água entra na bacia formando uma cachoeira e sai por
um buraco no fundo. Coisa difícil tirar os meninos da água, e depois não paravam de lembrar e comentar. Eu sempre confirmava se eles estavam gostando.


Logo acima do "buraco" tem essa pequena cachoeira.
São duas bacias fundas submersas com um trilho entre elas. Dá para ir caminhando até a queda. Fora desse trilho é muito fundo



Esse foi o último retrato no Funil, em uma cachoeira abaixo do "buraco". Fomos descendo todas as quedas, mas não fotografamos.
Depois d
esse dia nem a Ruth e nem o Glauber puderam vir conosco ao passeios.


O cansaço no primeiro da viagem.
Dormiu cedo, no beliche e em cima, como queria. Isso também era novidade para eles.



Dia 16/10/2015. Dia de Santa Edwiges.
Café de primeira que a Ruth arrumou. É sempre muita fartura.


Já chegando à Serenata.
Essa foi a primeira porteira aberta pela Laura, a estreia da Zequinha como zequinha.



O Artur foi o Jumento no teatro dos Saltimbancos da escola, e fica empolgado sempre que vê um jumento ou burro.
Quando vi o burrinho perguntei ao Joel se era manso. "É mansinho demais. Pode colocar ele em cima".
Mesmo tendo experiência em montaria o Artur adorou, só pelo fato de ser um jumento.



Retrato no caminho.


Os meninos conheceram o cânion no Rio Preto.
Lá tem cachoeira, gruta, túnel, cânion e rio, tudo em um lugar só.



O acampamento foi na areia, em frente à gruta. Esqueci do retrato dentro da gruta,
pois os meninos ficaram com medo da escuridão. Mas temos retratos de outras vezes lá.



É melhor na época de seca. Entramos em todas as bicas.
No tempo das águas parece ser outro lugar.







A entrada e a saída do túnel do rio da cachoeira. Ele some debaixo da pedra e reaparece já desaguando no Rio Preto.


O Rio Preto, no ponto em que o rio da cachoeira se junta à ele. Ao fundo aparece uma cachoeira que vem logo abaixo do cânion.


O túnel do rio da cachoeira. O medo do Artur na ida se transformou em coragem na volta.


Essa é a entrada do rio da cachoeira embaixo da pedra. Esse retrato foi na volta.


Mais uma aproveitada  na bica forte.


Minha Iara !


Dona Bilinha ! Nossa velha conhecida.
Ela parou de fazer o almoço gostoso como antes, dizendo que a idade já não ajuda. Mas não dispensamos a conversa, e dessa vez ela
ainda deu dois pintinhos para os meninos. Escolhi duas fêmeas, que foram batizadas de Bilinha e Ruth. Já estão morando junto com as outras meninas aqui de casa.



Os meninos na mangueira, junto com a Ruth e a Menininha, a cachorrinha que sobe em árvore.
As manchas e a aparente falta de foco são dedinhos na lente.


A jabuticabeira da Pousada da Ruth.


Conferindo as pintinhas Bilinha e Ruth.


A ida para o Rio de Peixe
Desci prá conferir a estrada. Estava cheia de valas, enormes, com mais de 2,5 metros
de profundidade em alguns pontos. Mas passava bem. Nesse ponto desci com a Faustina pelo pasto.



O "acampamento". Tinha muita pedra, e não consegui um cantinho para deitar no forro e cochilar.
O recurso foi pegar uma pedra de travesseiro, e deitar dentro do rio. Sabe que com aquele calorão nem com frio fiquei ?!



A água é transparente, mas tinha plantas aquáticas onde não tinha correnteza, e os meninos
ficaram receosos no início. Mas depois fizeram a festa, e até um pouco das plantas trouxeram para casa.
Não consegui um bom retrato do Cânion do Travessão. Tinha muito foco de fogo no parque, e a fumaça atrapalhava.


Meu amigão Chico. Já está velhinho, sem firmeza prá andar sobre as pedras. Mas dessa vez nadou como nunca.


A poeira na Faustina estava bonita. Tinha marron, branca, cinza, vermelha. Tinha de toda cor !


Uma parte da caminhada. O Chico andava pouco e cansava.
Levei ele nas costas, que nem um cabritinho. Pena não ter retrato.



A carinha boa dos meus meninos depois da caminhada de mais de 5 Km, num calor danado e debaixo de sol.
Isso foi no Sítio Bom Jesus do Sr. Raimundo, que a Laura tinha marcado na ida.  O retrato com a placa aparecendo atrás foi um troféu.


Hora de desagarrar a Faustina.



Os retratos da despedida. Voltamos o mais breve possível.
Sempre temos lugares à conhecer, mas lá compensa a volta, pois é bom demais.



  Vídeos relacionados à essa viagem: 

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